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Conheça a história do nosso município.

Histórico de José Raydan e seu Distrito Sede

As primeiras expedições portuguesas com destino ao Vale do Rio Doce datam do período entre 1553 e 1573, com a expedição de Sebastião Tourinho em busca de esmeraldas e ouro. Em 1758 uma expedição chefiada pelo Guarda-Mor João Peçanha Falcão, acompanhada pelo vigário Francisco Martins chegou ao Vale do Rio Doce. O lugar passou a ser chamado de Descoberta do Peçanha, em razão do nome de seu novo descobridor, João Peçanha. Desta forma, inciou-se o povoamento dessa região, que passou a chamar-se Mata do Peçanha. Para além das dificuldades impostas pela natureza como as doenças tropicais, o contato com os indígenas foi complicado, principalmente com os Botocudos, conhecidos como canibais pelos desbravadores, eram extremamente violentos e habitavam os Vales do Rio Doce e Mucuri. Foram várias as tentativas de extermínio do gentio, porém tem-se notícias deles até meados do século XIX nos relatos de viajantes naturalistas, como Maximiliam, príncipe de Wied-Neuwied, que esteve na região em 1816. O contato com o indígena fez com que o colonizador assimilasse parte de sua cultura, presente em hábitos alimentares e artesanato, principalmente.

Com a decadência do ouro na região mineradora, no final do século XVIII, as regiões das chamadas “Zonas Proibidas” (Bacias do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce), conhecidas como “região da mata mineira” pelo governo português, se tornaram uma alternativa econômica, tendo destaque a expansão agrícola e pecuária.

O distrito de Folha Larga surgiu em 1885, quando ali chegaram três irmãos vindos de Minas Novas (região do Jequitinhonha/Mucuri): António Pinto Ribeiro, Egídio Pinto Ribeiro e Benvindo Pinto Ribeiro. Eles optaram por procurar outras terras por causa do declínio da mineração, o que fez com que muitos adentrassem o sertão mineiro. Data de 02 de junho de 1891 0 primeiro documento que trata da localidade de Santo Antônio da Folha Larga, seu primeiro nome. Trata-se de um documento de doação de terras para a formação do povoado. A doação das terras foi realizada por Romualdo Honorato Ramos e sua esposa Maria Ferreira Lamacha; Joaquim Rodrigues da Silva e sua esposa Maria José de Oliveira; Romualdo Honorato Theodoro e sua esposa Maria Ferreira de Jesus, e Egydio Pinto dos Santos. Os primeiros habitantes que ali viveram foram: Minervino Veiga, Quintino Medeiros, Ali Camilo, Sinadaris Aredis, José Camilo, Maximiano de Oliveira, Antônio Ferreira Pires, Minervino Bernardes, entre outros.

Posteriormente o nome do povoado foi reduzido para Folha Larga, não sendo possível determinar quando isso ocorreu. O nome Folha Larga é, segundo a tradição local, originado no fato de três viajantes, ao passar pelo povoado ainda sem nome, apearam de seus cavalos para tomar água em uma mina no caminho. Não dispondo de copos, utilizaram algumas folhas de uma árvore conhecida como Lariba. Depois de beberem a água exclamaram: “Que folha larga!”, ficando assim nome da localidade. O povoado recebeu a nomenclatura atuai, José Raydan, em homenagem ao fazendeiro sírio naturalizado brasileiro que ali viveu, benemérito e político influente na região, pela lei no 1.039, de 12 de dezembro de 1953.

Os primeiros moradores vieram de outras cidades, da região do Vale do Rio Doce e Vale do Mucuri, como Teófilo Otoni, Entre Rios, Serro, Jacuri e Diamantina, morando em casas de capim e taquara. As dificuldades para sobrevivência eram muitas, sendo necessário ir a cavalo ou a pé longas distâncias para adquirir mantimentos. As primeiras estradas foram abertas por eles, em sistema de mutirão. Segundo depoimento (colhido em momento anterior ao de nossa pesquisa) do Sr. Honório Pinto Ribeiro, nascido em Folha Larga a 12/ 10/ 1914, seu pai Antônio Pinto Ribeiro Júnior (nascido em Folha Larga, 1886) foi a pé até a cidade de Diamantina buscar a imagem de Santo António, pagando por ela cinco mil réis.

Não é possível determinar o ano de construção da Capela de Santo Antônio, uma vez que não foram encontradas referências históricas sobre a mesma. Toda a documentação relativa à capela encontra-se na paróquia de Santa Maria do Suaçuí, uma vez que José Raydan não foi elevado a essa condição, provavelmente porque a diocese local não acha necessário prover a cidade com um pároco fixo. Sabe-se que era costume, ao chegar a qualquer lugar, que os colonizadores erguessem uma capela em devoção a um santo; era primordial à fé católica. Com base nesse dado, podemos presumir que a primitiva capela possivelmente foi construída no final do século XIX ou início do século XX. Segundo Dona Celime Raydan, sobrinha de José Raydan, essa capela possuía estrado alto com duas sacristias, uma de cada lado do altar, em honra a Santa Rita e a São Sebastião, possuindo ainda chão de assoalho.

Essa antiga capela foi demolida nos anos 60 para a construção de outra, que comportasse melhor a população local. É muito provável que sua demolição esteja ligada também ao movimento desenvolvimentista, iniciado por Juscelino Kubitschek nos anos 50; nesse movimento o conceito de modernidade não conseguia conviver com o antigo para se ter o novo era preciso que o velho se fosse. A cidade, segundo relatos dos moradores, ficou um tempo considerável sem templo religioso, sendo o mais próximo na cidade de Santa Maria do Suaçuí. A atual construção, localizada na praça Cônego Lafaiete, teve seu início em 13 de maio de 1970, sendo benta a 05 de agosto de 1971 pelo Arcebispo Metropolitano de Diamantina Dom Geraldo de Proença Sigaud. O pároco era Padre Luiz Barroso.

Ao final dos anos 80 do século XX chegou à cidade a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ECT (01/08/1989). No ano seguinte a cidade passou a contar com um posto telefônico sob concessão da Telemig (27/12/1990), hoje substituída pela Telemar. Esses e outros fatores como a presença da Cemig, o sistema de abastecimento de água independente, foram cruciais para a elevação do distrito a município. Em 1997 0 abastecimento de água através de cisterna foi substituído pela Copasa (27/05/1997).

Para que ocorra a emancipação são observados diversos fatores, todos devidamente registrados e confirmados por documentos expedidos pelas operadoras e/ ou órgãos competentes, como a prefeitura local, tais como: escolas e número de bens em cada uma, abastecimento de água, saneamento básico, iluminação pública, posto de saúde, cemitério, estruturas físicas capazes de abrigar futuras instalações municipais, bem como a concordância da população, através de abaixo-assinado dos eleitores locais. Em José Raydan foram 259 assinaturas, sendo o requerimento enviado pelo então deputado Olinto Godinho. Contava então com 437 moradias e 2.421 eleitores, divididos em 8 seções.

Quando da sua emancipação, publicada no Minas Gerais, Diário do Executivo, 21 de dezembro de 1995, lei no 12.030, José Raydan contava com duas escolas de Ensino Fundamental, sendo uma delas, a Cônego Lafayette, ativa em três turnos. A zona rural também contava com seis escolas, equipadas cada uma com duas salas de aula, trinta carteiras em cada sala, uma cantina, um fogão a gás e vasilhame apropriado para a merenda escolar em cada cantina, dois sanitários e um pátio coberto. O Ensino Médio local é básico, sem habilitação profissional.

Decidiu-se que seus limites seriam com José do Jacuri, São Sebastião do Maranhão, Peçanha, São Pedro do Suaçuí e Santa Maria do Suaçuí. Não possuindo distritos, contaria apenas com as comunidades do Fonseca, Bertozo, Conrado e Baú. Chama a atenção o fato de José Raydan possuir um aeroporto municipal, localizado na estrada que liga a cidade a Santa Maria, próximo à Área de Preservação Ambiental Pedra Branca. Esse aeroporto, localizado dentro do antigo distrito, foi objeto de disputa entre as duas cidades durante o processo de emancipação, uma vez que pertencia a Santa Maria. Como estava dentro dos limites estabelecidos para o novo município, passou a fazer parte do património raydense. O Sr. José Rabelo Peixoto era o prefeito de Santa Maria do Suaçuí quando da emancipação de José Raydan. Nascido na localidade, foi figura de destaque e fundamental para a efetivação da emancipação.

A primeira administração foi composta por: José Amaral da Silva, Prefeito; Abel Camilo, Chefe Administrativo; Aderaldo Fernandes Silva, Secretário da Educação; Miria Peixoto Temponi Lima, Secretária de Saúde; Aristides Camilo, Secretário de Obras; Nair Oliveira Amaral, Tesoureira; e Nélyd Maria Fernandes Lima, Chefe do OME.

A cidade hoje conta com programas de geração de trabalho e renda, com incentivos para atração de atividades econômicas com fornecimento de infra-estrutura e capacitação profissional. O Conselho de Educação e Saúde é atuante na assistência social; a cidade demonstra preocupação com as gerações futuras: pela lei no 113, de 02 de setembro de 2002 foi criado o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, contando também com um Conselho Tutelar atuante. Em 27 de setembro de 2006, pela lei n03.640/ 2006, foi criada a Associação Comunitária Pró-Desenvolvimento da Comunidade de Fonseca, com sede em José Raydan.

José Raydan apresenta boa estrutura municipal. O comércio local é composto por pequenas lojas, bares, padaria, pequenas farmácias e restaurante. Sua principal atividade econômica á a agropecuária, com destaque para a criação de galináceos, bovinos e suínos; e a produção de cana-deaçúcar, banana, mandioca, milho e arroz em casca. Como seu status de município ainda é muito recente, uma cidade com apenas 1 1 anos, ainda necessita de infra-estrutura que possibilitam maior desenvolvimento, tais como: hotéis, supermercados, posto de gasolina, banco, hospital, uma vez que possui apenas um posto de saúde e banco postal, do Bradesco, que funciona através da agência dos Correios. Sua área industrial resume-se a fábricas de pequeno porte, como Laticínios Sevilha e a fábrica de pés para geladeiras e fogões.

Texto veiculado no Plano de Inventário de Proteção ao Patrimônio Cultural de José Raydan. Prefeitura Municipal de José Raydan, 2007.

 

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